Buscar
  • Patricia Rodrigues

You Never Can Tell


Essa foi uma das reflexões mais deliciosas que fiz nesse período onde me propus a aprender o máximo de coisas possíveis (durante a NRF de janeiro desse ano). Afinal, tudo com uma boa trilha fica ainda melhor rs.

Recebi um link de vídeo. A situação era: Bruce Springsteen, num show. Entre pedidos de fãs entusiasmados, um cartaz pedindo pra tocar. Ele sempre atende a pedidos de fãs, cartazes pedindo seus clássicos. Só uma diferença dessa vez:

não é do repertório,

não está ensaiada.

Capacidade de improviso, valendo!

Fiquei pensando em como eu lido com meus improvisos.

Se você tem filhos, você tem MBA em improviso. Se tem um bebê, Doutorado.

O "te encontro daqui a 50 minutos", pode virar um atraso de mais 50 minutos se, na hora de sair de casa, seu bebê explode em cocô. Explodir é diferente de fazer cocô. Explode de uma forma que nem todos os pacotes de lencinho umedecidos podem resolver. Apenas banho. Haja capacidade de lidar com improviso.

Gente, quantos e quantos cartazes nos levantam todos os dias, incitando nossa capacidade de improvisar. Reunião desmarcada quando você já estava a caminho. Esqueceu o condicionador e só descobre quando já abriu o chuveiro no banheiro da academia. Você preparou 15 slides super bem planejados para discutir um conceito e o cliente/chefe/investidor entra na sala dizendo que tem 5 minutos, fazendo você pular para os 2 últimos slides. Chove no dia do seu evento lindo a céu aberto. Etc, etc, etc.

O que a gente faz com essas oportunidades? Se apavora? Fica indignado? O Bruce fez o seguinte: se propôs a atender o pedido.

Sem ensaio. Tentar tirar a música ali na hora, ao vivo, para deleite e delírio dos fãs.

Pra mim, isso foi uma lição com alguns desdobramentos:

  • Propósito - se você sabe porque está fazendo o que está fazendo, os improvisos são até gostosos, divertidos. Você reforça suas convicções, se vê obrigado a buscar um novo ângulo. Percebe que tem tanta certeza do seu 'why' (Simon Sinek, divo, e o conceito do Golden Circle), que o exercício de explorar caminhos diferentes (mais curtos, mais diretos, mais rápidos, coletivos, dependendo da necessidade de improviso), acaba tornando tudo ainda mais interessante;

  • Confiança no seu time - olha, aqui reside a fonte da maior delícia que se pode ter como gestor. Saber que você tem um time com quem se pode contar. E, mais que isso, que bota pra quebrar. Poucas sensações no trabalho são tão prazerosas: a situação acontece, precisa que seu time aja e, cada um com seu talento, vai incrementando, crescendo, fazendo o outro brilhar, se divertindo, se comunicando só com olhares e atitudes. Uma lindeza. Sempre adorei ver meus times solando. Babo mesmo, de fã. Claro, isso passa por contratar bem, por empatia, por sorte. Mas também por duas questões fundamentais: autonomia e treinamento. Autonomia sem preparo, termina desafinando. Competências sem autonomia, termina travando ou naqueles solos insossos que não fazem ninguém vibrar. Agora, se sua banda (time) é afinada e vcs confiam uns nos outros, aumenta que isso aí é rock n´roll.

  • Liderança - nem há muito o que dizer. Óbvio. Pelo exemplo, pela atitude. Líder inspirador, mas também mão na massa. Gente, não deve ser à toa que o cara é The Boss;

  • Diversão é solução, sim. Nítido, claro, transparente e envolvente, eles estão todos se divertindo. Bruce, a banda, os fãs. No final das contas, no final do dia, no final da carreira, são momentos assim que fazem tudo valer a pena.

Eu já estava feliz com o tanto de reflexão com que o menino Bruce me presenteou. Aí, em outro show, ele chama esse menino pra subir no palco e tocar com ele aqui ó:.

E aí, veio a aula de generosidade. Palavrinha danada de bonita. Mas, isso é papo pra outro post.

Ah, sim, tá aqui o improviso delicioso do The Boss.

Bjo, outro, tchau.